sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Algumas coisas que descobri sobre a metafísica desta Realidade

Quando concebi a ideia de que psicônomos a gerenciarem as mentalidades das pessoas, aplicando conhecimentos científicos das diversas linhas de psicologia conjugados a mitos que fizessem sentido às vidas das pessoas e a filosofias de vida que lhes dessem um propósito existencial, como uma nova versão dos sacerdotes religiosos - como os "coaches", por exemplo - , acabei me esquecendo que o mundo físico e suas leis materiais não são suficientes para explicarem conclusivamente nem o fenômeno da vida, nem o da consciência.

Por mais que nossos corpos orgânicos sejam o suporte para a manifestação de nossas mentes e influenciem nossos pensamentos, o simples fato de existirem pessoas que são capazes de sobrepujar seus instintos por decisões conscientes ou por estados alterados de consciência, indicam uma independência entre a consciência e a matéria que a abriga.

Seria o caso de tornar os psicônomos também "mediadores metafísicos" assim como os pregadores, reverendos, sacerdotes, médiuns, xamãs, benzedeiras, pajés, etc. Mediadores entre a vida material (tanto a pessoal quanto a pública) e a vida espiritual (da presença de espírito, da consciência própria, da mente tanto intelectual quanto emocional).

É possível perceber que as filosofias de vida mais exclusivamente materialistas e antimetafísicas (por exemplo, as niilistas, as existencialistas, as ateístas e as ideologias antiteístas como o comunismo) acabam sempre considerando a realidade material absurda e incapaz de conferir sentido existencial a si mesma. E todas elas levantam a hipótese do suicídio como solução a essa conclusão, ou de viver uma vida sem sentido, pois consideram TODA a espiritualidade humana como uma espécie de fuga para evitar enfrentar um mundo real que consideram absurdo e sem sentido. Pela lógica, "santidade" ou "fé" para eles deve ser coisa de otário ou de covarde.

Ao mesmo tempo, nas livrarias do mundo ocidental, publica-se cada vez mais livros sobre a "atenção plena" e seus benefícios para a saúde mental e até física, cheia de comprovações neurológicas (a tal "neurociência"), com todo cuidado para evitar chamá-la de meditação e para diferenciá-la do que sempre foi uma prática religiosa, ainda que recorram a comparações com o budismo por ser uma religião sem devoção a deuses, esquecendo de dizer que o budismo veio do hinduísmo, que também medita, mas cujo monoteísmo cultua milhares de divindades.

O que tenho descoberto é que as civilizações humanas sempre levantaram hipóteses sobre a consciência e buscaram comprová-las da melhor forma possível, chegando inclusive a desenvolver "tecnologias da consciência" que, sob o atual paradigma cientificista (exclusivamente materialista e antimetafísico) que só considera os estímulos sensoriais mensuráveis e suas conclusões lógicas como fontes de conhecimento e que considera TODO testemunho pessoal como indigno de confiança, sempre serão consideradas pseudocientíficas, não merecendo nem mesmo pesquisas que tentem refutá-las, ainda que cada vez mais pessoas as comprovem por experiência própria e passem então a duvidar de suas sanidades devido ao discurso hegemônico da "ciência médica psiquiátrica".

Há uma guerra pelas almas ("psiquês") vivas sendo travada por psicônomos de diferentes facções (ideológicas, religiosas, científicas "neutras"). Há armas psicológicas (midiáticas, culturais, comportamentais), químicas (remédios psiquiátricos, dietas psicoativas, intoxicação voluntária), físicas (arquitetônicas, vestuário, máquinas). A humanidade se torna artificial (antinatureza), perversa e se desintegra, cada vez mais inconsciente de seu potencial divino e incapacitada de concretizar um paraíso terrestre. O FUTURO NOS É PROIBIDO (a não ser que vençamos nossas reações destrutivas e o inferno em que vivemos em cativeiro).

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Quando os bancos perderem o sentido

Usar valores em dinheiro em troca de mercadorias e serviços é muito melhor que ter que negociar usando apenas mercadorias que você possua ou serviços que você possa prestar. E ganhar acesso a descontos ou benefícios exclusivos por ser um cliente fiel a uma marca ou cartão de crédito já é um passo além das meras transações com dinheiro eletrônico disponível ou emprestado a juros. Porém a humanidade já reúne condições para avançar para além do sistema monetário, prescindindo do dinheiro e dos bancos para assumir o uso exclusivo do Capital Prerrogativo.

Imagine um mundo em que o acesso de todas as pessoas ao mínimo necessário para suas sobrevivências seja garantido "gratuitamente" em troca da privacidade de seus dados pessoais de consumo e cheios de anúncios (principalmente de práticas em favor de alguma marca, de serviços a serem feitos e das incríveis recompensas por aderir a algum desses contratos). Nesse mundo, muita gente poderia escolher viver sem trabalhar, dormindo em alojamentos comunitários, tomando banhos cronometrados em vestiários públicos, comendo à vontade alimentos industrializados ou rejeitados nas feiras, usando o transporte público, e assistindo à programação dos canais abertos nas telas de algum auditório ou acessando vídeos e outros conteúdos em quiosques digitais.

Porém, é muito provável que boa parte das pessoas preferisse acumular pontos e conquistas ao participar de cursos ou aceitar tarefas, para poder carregar suas próprias telas no bolso das roupas sem estampas de propaganda que elas mesmas escolheram. E com um pouco mais de sacrifício poderiam ter acesso permanente, sem necessidade mensal de juntar e pagar um aluguel, a uma cabine reservada para fazer o que quiser sem nenhuma câmera de vigilância publicando sua vida na rede. Talvez até conquistarem o direito de pegarem emprestado veículos comunitários e dirigí-los para onde quiserem. Também poderiam querer ter seus próprios armários refrigerados com tranca biométrica para acumularem suas doses únicas diárias de bebida alcoólica (distribuídas como remédio preventivo de doenças cardiácas a ser tomado durante uma refeição) e poder tomar um porre ou fazer uma festinha de vez em quando.

É claro que a qualquer infração cometida pelo sujeito e comprovada pela vigilância ou pelo monitoramento de seus registros de acesso biométricos, ele poderia perder alguns de seus acessos conquistados, podendo recuperá-los com algum esforço. E no caso de crimes graves, poderia até perder o acesso a clubes e condomínios e ter sua vigilância e monitoramento reforçados (com tornozeleiras e restrições de acesso), podendo recuperar suas liberdades ao participar de reuniões de aconselhamento, aulas de cidadania ou pela prestação de serviços comunitários (como embelezamento urbano e campanhas cidadãs).

Haveria também um sistema de transferência coletiva de pontos ou conquistas para apoiar projetos pessoais divulgados em redes sociais, além do apoio de voluntários em tarefas programadas pelo autor do projeto para sua realização. A transferência coletiva também poderia servir para premiar periodicamente os responsáveis pelo melhor serviço público à comunidade (por exemplo, a praça mais bem cuidada ou o motorista mais gentil).

Por enquanto é essa a utopia viável, apesar de ainda faltar definir quem programaria o "código aberto" dessas cidades-empresas, e quem regularia as falhas de mercado (monopólios naturais, etc), embora uma possível proposta política seja a de atomizar os três poderes (legislativo, judiciário e executivo) nas mãos de todos os cidadãos. E o que fazer com o monopólio estatal sobre a violência (e a "guerra justa")? No fim das contas a Revolução Prerrogativa seria a união da Economia com o Direito, e a unidade de valor passaria a ser o merecimento conquistado (com pitadas de Gamification).

domingo, 22 de dezembro de 2013

Uma unanimidade maior que a de Deus

Estive num curso de estilos de liderança e de práticas baseadas na Psicologia Positiva e presenciei dois fatos que me fizeram pensar sobre a natureza humana.

O primeiro fato foi a descoberta de que Deus não é mais uma unanimidade em nossa sociedade, pois quando o palestrante exibiu um slide de cunho religioso esperando que toda a plateia concordasse com seu raciocínio, uma participante cética teve a coragem de se manifestar contra a multidão de devotos.

O segundo fato foi o silêncio unânime em resposta a esta pergunta feita pelo palestrante: "Alguém aqui presente não quer ser amado?"

Veio-me à mente, então, o quanto tudo que nós humanos fazemos está ligado a este desejo de ser amado, desde o primeiro choro de uma criança até o autoritarismo violento do pior dos ditadores. O amor é a verdadeira "moeda de troca" em todas as relações humanas, seja ele recebido como o amor por novas experiências, o amor fantasioso pelo que não se está acostumado a viver, o amor apaixonado que se crê correspondido, ou o amor rotineiro pelo que se está habituado a praticar todos os dias. Já a demonstração desse amor pode se dar por meio de palavras de afirmação, apresentação de serviço, presentes, tempo de qualidade, ou toque físico.

No capitalismo estamos acostumados a "amar" presentes, principalmente na forma de dinheiro vivo, em troca de hábitos produtivos (principalmente a prestação de serviços a clientes externos), ainda que essas formas de demonstrar e de receber o amor não sejam nossas preferidas, pois trata-se de uma questão de sobrevivência e, portanto, de amor próprio.

Felizmente algumas organizações estão descobrindo que podem oferecer mais que apenas dinheiro para seus membros e esperar que eles retribuam essas outras demonstrações de amor de formas diferentes, por exemplo, quando uma empresa oferece vagas de estacionamento ou dias livres para seus melhores funcionários (ou para que seus funcionários sejam melhores) e abram espaço para que seus funcionários experimentem novas formas de fazer seu trabalho ou para que utilizem parte de seu tempo no desenvolvimento de projetos pessoais bancados pela empresa. A qualidade de vida nesses casos pode ser bem maior do que a de empregos que paguem bem melhor somente em dinheiro. Talvez essa possa ser a base para uma Economia Prerrogativa, pós-monetária.

O importante é saber o que é o verdadeiro amor que se quer - e não somente atrair a atenção das pessoas como fazem as crianças malcriadas e os criminosos - e ter consciência que antes de se exigir tal amor das outras pessoas é preciso que este mesmo amor seja oferecido primeiro por você, independente da forma que você possa oferecer.

Referências bibliográficas

  • Aforismos sobre a Felicidade, de Vatsyayana
  • As cinco linguagens do amor, de Gary Chapman